Os prazeres do sexo entre duas ou mais mulheres cisgêneras

Os prazeres do sexo entre duas ou mais mulheres cisgêneras

Comportamento , Saúde ,

 

Segundo especialistas, as melhores formas de estimular o prazer sexual entre duas mulheres cis que possuem clitóris, sendo elas lésbicas, bissexuais, pansexuais ou qualquer outra forma possível de envolvimento afetivo, são o autoconhecimento e a prática. Isso porque para saber o que pedir durante a relação, melhorar relacionamentos, descobrir novas posições e sexo oral é preciso primeiro saber como chegar lá sozinha, assim fica mais simples tornar a experiência mais prazerosa.

Cada mulher tem suas particularidades, umas têm tesão na nuca, outras com puxão de cabelo, só perguntando para saber. Não tenha pressa de chegar ao clímax, curta o caminho a ser percorrido, ele pode ser longo, mas é bem prazeroso.

Você sabia que o clitóris tem cerca de 8 mil terminações nervosas, enquanto o pênis tem 4 mil?

Mesmo com essa vantagem biológica, uma pesquisa realizada pela agência governamental Public Health England, que entrevistou mais de 7 mil mulheres, mostra que as experiências sexuais femininas não são tão satisfatórias quanto poderiam.

Outro estudo realizado pelo Instituto Kinsey, especializado em pesquisas sobre sexo, gênero e reprodução revelou que a taxa de orgasmos entre mulheres heterossexuais é de apenas 65%, enquanto mulheres lésbicas dizem alcançar o ápice do prazer 86% das vezes.

Diante deste cenário, adentramos no universo das mulheres cis para entender como uma pessoa com clitóris, lésbica ou de qualquer orientação sexual pode sentir prazer, sozinha, com uma parceira cis ou com um brinquedo erótico, que a gente particularmente adora!

Foto: mblifestyle.

Comece pela masturbação / siririca

Independente do sexo, é sempre importante valorizar o seu relacionamento consigo mesma e a masturbação feminina tem o poder de reascender essa vontade já existente dentro das mulheres cis.

O mais interessante é que quanto mais você conhece o próprio corpo e os pontos de prazer, mais fácil será guiar a parceira, e melhor ficará a relação. Pode até parecer dica de autoajuda, mas quando melhoramos a nossa relação consigo mesma é possível melhorar nossa relação com os outros, e isso envolve a nossa satisfação sexual também.

E o melhor, a vantagem de transar com alguém do mesmo sexo é que a anatomia é igual a sua. Claro, que cada mulher é única, mas dá para colocar em prática algumas coisas que funcionam com você como a variação de intensidade, movimentos, velocidade e por aí vai.

“Mulheres que falam abertamente sobre seus corpos, sexualidade, que se conhecem, se tocam, que conhecem suas vulvas, parecem muito ousadas para aquelas que nunca tiveram a ousadia de colocar um espelhinho entre as pernas. Falar abertamente sobre prazer, masturbação, aceitação ou rejeição dos seus corpos, aventuras e preferências sexuais é libertador – e também desafiante, claro – para mulheres que se encontram presas na falta de conhecimento de si e numa sociedade patriarcal e heteronormativa. Círculos de mulheres convidam ao autoconhecimento, ao desenvolvimento pessoal e à expressão da potência de cada mulher no mundo. A força do coletivo nos impulsiona a crescer juntas, isso é o Sagrado Feminino”, explica Paloma Bastos, pedagoga e organizadora de Círculos de Mulheres.

A mulher não tem o costume de se masturbar, mas precisa criar o costume de tocar uma siririca. “Você pode começar passando um creme ou usar produtinhos que desenvolvam a parte sensorial no interno das coxas, na vulva, lábios externos, internos, sem a obrigação de ter que cumprir um papel, uma finalização ou com foco no orgasmo, só se sentir”, recomenda a especialista em sexualidade e terapeuta energética Cláudia Renzi.

Ela aconselha ainda que a melhor forma de começar a se tocar é sozinha e depois juntas. O lance é se sentir confortável, segura e acolhida em compartilhar esse momento de intimidade. Dessa forma você acaba tendo uma sinergia com a pessoa muito melhor!

Foto: Canva por lekcej.

Sexo oral: o néctar das mulheres cis

Para levar uma mulher ao delírio é preciso dominar a arte do sexo oral. Mas vá devagar, antes de cair de boca, deixe-a bem excitada. Provoque o corpo dela por inteiro. Seja generosa nos olhares, nos beijos, nos toques. Sussurre elogios e sacanagens no ouvido dela.

Beije as coxas, a barriga, acaricie os mamilos, o bumbum. Toque a região por cima da calcinha com os dedos ou a língua. Sinta se a respiração ficou mais forte, se o bico do seio enrijeceu, coloque o dedo na vagina para sentir se ela está lubrificada, para só depois ir em direção ao clitóris.

No sexo oral, dedo e boca podem trabalhar juntos. Chupe com vontade e experimente introduzir um dos dedos na vagina ou no ânus, mas saiba quando continuar ou parar. O clitóris costuma ficar sensível demais ao toque depois do orgasmo, por exemplo, nessa hora dedique-se a qualquer outro ponto do corpo dela.

Assim como a penetração, dá pra alternar a posição no sexo oral. A posição sexual que mais favorece as mulheres cis é o “69”, que permite que as duas sejam estimuladas ao mesmo tempo, tanto para o sexo oral quanto na estimulação clitoriana, porém, a terapeuta sexual disse que a “tesourinha” também é uma posição de sucesso no qual as mulheres roçam o clitóris uma na outra ou o próprio corpo.

Mas como sentir prazer é algo bastante pessoal, umas curtem mais a estimulação do ponto G, outras o clitóris, vale descobrir suas posições sexuais preferidas e compartilhar com a parceira o que for mais excitante para as duas.

Foto: Anna Shvets  de Pexels.

Posições e brinquedos eróticos para mulheres cis

ALCANCE TOTAL: Deite ela de costas, com um travesseiro apoiando a lombar e coloque as pernas sobre seus ombros. Nessa posição é possível ter um alcance de toda a região da vagina.

DE QUATRO: Ela pode apoiar os joelhos e os cotovelos para ficar de quatro na borda da cama, enquanto você se posiciona um pouco mais abaixo do corpo dela no chão. Assim suas mãos ficam livres para acariciar o bumbum e as costas dela.

ELA POR CIMA: Você se deita de costas e ela se ajoelha com uma das pernas de cada lado da sua cabeça, assim ela consegue mover o quadril enquanto você acompanha com a língua.

BRINQUEDOS ERÓTICOS: O vibrador ou outros brinquedos sexuais são ferramentas interessantes para o sexo entre mulheres. Vale experimentar os vibradores 100% silicone, que não trazem malefícios à saúde.

Perguntamos para as nossas seguidoras no Instagram qual brinquedo erótico elas mais recomendam para potencializar o prazer das mulheres cis, e as respostas variaram entre: bullet, sugadores, rabbits para quem gosta de penetração e o Egg (na nossa loja vendido como Coxinha), normalmente usado para masturbação masculina, como capa para o dedo.

Se você já testou todas essas dicas e ainda assim sente que não está arrasando, peça que ela vá te mostrando o que é bom. Não há mal nenhum em perguntar e conversar durante o sexo, pode ser bem excitante, inclusive.

Mas se mesmo assim não rolar, procure a orientação de uma terapeuta sexual. Aqui no site temos uma Rede de Apoio com indicações que inclusive atendem de forma on-line mulheres cis de todo o Brasil.

Foto: The Winnie Collection.

Mulheres cis que se relacionam com mulheres cis

A autoestima é um fator que influencia diretamente a sexualidade das mulheres cis. Na busca pelo corpo perfeito, muitas não se sentem à vontade durante o ato sexual, como revela uma pesquisa feita pela Universidade de Jaèn, na Espanha. Com exceção das lésbicas!

Embora a baixa autoestima esteja presente nos três grupos analisados formado por heterossexuais, bissexuais e lésbicas, o último não impacta tanto a vida de mulheres que se relacionam com mulheres, talvez pelo fato de se sentirem aceitas do jeito que são.

Um espaço que tem como propósito empoderar mulheres, com muita informação sobre sexualidade feminina, autoconhecimento e liberdade sexual na internet, é o Share Your Sexy. “O SYS é perfeito, até pouco tempo as publicações eram através de um grupo no Facebook, agora o portal vai se transformar em uma plataforma de streaming 100% focada no prazer feminino, estou aguardando ansiosamente. O grupo LDRV (Lana Del Ray Vevo) no Facebook também publica postagens que me fazem refletir muito sobre comportamento e relações.”, recomenda Beatriz.

Além disso, existem aplicativos específicos para o público LGBTQ+ como Zoe, Femme e Her, que possibilitam o contato, a interação entre mulheres cis que nunca teriam a chance de se conhecer se não fosse pela internet.

Foto: Tim Samuel de Pexels

Beatriz conta que nunca se enxergou dentro dos padrões considerados normais de acordo com a heteronormatividade. Para ela o prazer das lésbicas deve ser tratado como algo leve e natural. “Vejo que muitas meninas e mulheres que estão se descobrindo lésbicas têm muita vergonha e medo, especialmente por se compararem aos filmes pornôs. Esses filmes são um grande problema, pois induz a acharmos que devemos ser muito performáticas, gemer muito alto, gozar como homens ou ter squirting todas as vezes que estamos tendo um orgasmo. Mas a verdade é que tudo é muito mais leve, cada corpo é um corpo e cada corpo tem suas áreas de prazer. Então não se comparar com outras mulheres e deixar fluir é tudo o que as mulheres cis que estão tendo suas primeiras vezes precisam. Ah, uma coisa que me ajudou muito, foi entender que posso ter diálogos com a minha namorada durante nossas relações. Dessa forma, nós vamos descobrindo o que cada uma gosta mais e fica cada vez mais gostoso.”.

A conversa durante a relação entre elas é fundamental. Fernanda, namorada da Beatriz, disse que sempre teve curiosidade de experimentar brinquedos eróticos e que tinha preconceito até conhecer a nossa lojinha e tem funcionado muito bem. “Não é sempre que queremos brinquedos, mas quando usamos gostamos do modelo karaokê e dos lubrificantes com sabores mágicos!”. Outra dica que ela dá para quem está descobrindo o sexo lésbico é cortar as unhas e mantê-las sempre limpas por questão de higiene.

Ana Flávia também compartilha da mesma opinião de Beatriz de que o segredo do prazer lésbico é deixar rolar e ir sentindo tudo que está acontecendo aos poucos. “Deixe seu corpo se envolver com a parceira e relaxe para curtir tudo que vai acontecer. O sexo tende a demorar mais, então sem ansiedades para chegar lá. Só vá sentindo!”, relata e complementa “os brinquedos ao meu ver funcionam para esquentar a relação e para experimentar sensações diferenciadas que estimulem o ponto G. O bullet e o sugador são os melhores na minha opinião!”.

Muita gente acredita que em uma relação entre mulheres cis o uso de brinquedos eróticos está associado à prótese realística do pênis, porém não é bem assim, existe uma imensa diversidade de brinquedos em outros formatos que te fazem sentir um prazer extraordinário. Aproveite para dar uma olhada na nossa lojinha!

O momento certo de inserir um acessório diferente na relação é quando ambas se sentirem confortáveis para isso. Tem mulher que não gosta, e está tudo bem também. “Os sex toys ajudam a expandir a parte sensorial, indicados para ter conhecimento do próprio corpo e entender como funciona, são para pessoas que querem aprender mais, expandir seus conhecimentos.”, recomenda Claudia.

Foto: Maria Dorota

Os riscos do sexo entre mulheres

A falta de diálogo sobre o sexo entre mulheres cis nos faz refletir sobre a conscientização sobre os perigos que elas estão expostas frente às ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

As ISTs podem ser transmitidas durante a relação sexual entre mulheres se elas não estiverem com nenhuma proteção. Estamos falando de: herpes, sífilis, gonorreia, clamídia, HIP e HPV.

Para se proteger, na hora da penetração dá pra usar camisinha masculina envolto no brinquedo erótico ou no dedo, ou a camisinha feminina dentro da vagina, para evitar o contato com as secreções vaginais.

Já no sexo oral uma opção é recortar uma camisinha (masculina ou feminina) e tirar o anel para criar uma barreira de proteção. Dá pra fazer o mesmo com uma luva descartável, você corta os dedos, abre e faz um pequeno lençol.

“Permita-se viver algo que não seja totalmente o que você imagina na sua cabeça, explore partes sensíveis do corpo, cabelo, pele, dobras e deixe fluir” finaliza a terapeuta bioenergética.

Comentários

Compartilhe: