A verdade que ninguém te conta sobre a Geração Z e seus relacionamentos

A verdade que ninguém te conta sobre a Geração Z e seus relacionamentos

Comportamento ,

A famosa geração Z, marcada por jovens nascidos entre 1995 até o ano de 2010, nasceu em um contexto social mais desconstruído, e suas experiências no universo dos relacionamentos têm grande influência com o que consideram importante.

Descolados, antenados, imediatistas e individualistas, os jovens da geração Z tentam viver de forma prática sem a necessidade de se encaixar em rótulos prontos.

Quer dizer que ser heterossexual, gay ou lésbica está ultrapassado para eles. O que importa é a pessoa em si.

Uma pesquisa feita pela agência J. Walter Thompson Innovation, revela que apenas 48% dos adolescentes consultados se disseram 100% heterossexuais, enquanto os millennials (geração anterior, também chamada de Y, dos nascidos entre 1981 e 1995) eram de 65%.

A pesquisa usou como referência a Escala de Kinsey, que considera a definição de sexualidade a partir do espectro ilustrado abaixo.

Os extremos representam completamente hetero e homossexuais, e os cinco termos intermediários representam os ambissexuais, ou seja, com comportamentos hetero e homo, em diferentes frequências e intensidades.

O curioso foi que a porcentagem dos que se declaram homossexuais continuou a mesma, de 6%, em ambas as gerações. O que mudou foi a porcentagem dos jovens que afirmam ter algum grau de ambissexualidade.

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Foto: Fernandafran.co

 

Sem definições sexuais, por favor, assinado: gen Z

A psicóloga clínica Amanda Ferreira da Silva explica que antes de caracterizar a geração Z, é importante alertar que faremos algumas generalizações, e inevitavelmente muitos não se reconhecerão nessas particularidades, visto que o processo de subjetivação se dá com a conjunção de muitos fatores e não apenas o período de nascimento.

Da forma mais abrangente possível, destacamos o imediatismo desta geração, como se tudo pudesse ser resolvido com um ‘click’.

“Buscam informações curtas e rápidas – até as mensagens de voz são aceleradas – além de se manterem fora de qualquer classificação ou definição, cada um é o que é e ‘não me venham tentar definir’!”, aponta.

Para Julia Mattos, que faz parte da geração Z e é bissexual, sentir afeição por mulheres sempre foi uma coisa muito natural. O que ela leva em consideração para se envolver em uma relação séria é o respeito, o companheirismo e a comunicação, e não a definição sexual da pessoa.

“Acho uma perda de tempo alguém se importar com o que eu deixo ou não de fazer, nunca me importei com o que diziam em relação à minha sexualidade. Sempre tive uma afeição muito grande por mulheres, quando beijei a primeira menina aos 14 anos, foi mais um negócio de encontrar um nome para o que eu sentia do que realmente me descobrir, sabe?” conta ela.

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Foto: Canva

 

Fluidez sexual

A série espanhola Elite produzida pela Netflix, aborda muito bem como os jovens encaram de forma mais fluida essa liberdade sexual, de gênero, caminhando no sentido de se libertar de padrões estéticos impostos, com mais fluidez nas relações.

Nesse sentido, o personagem Christian entra em um triângulo amoroso ao tentar “roubar” a namorada de Polo, porém ao se envolver com Carla, acaba por se relacionar com Polo também, e os dois rapazes acabam por criar uma relação sexual sem a presença dela.

As gerações anteriores considerariam esse tipo de relação um tabu, mas para a geração Z não!

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Foto: Netflix / Reprodução

 

Para os Zs qualquer pessoa pode se sentir atraída por outra pessoa de qualquer sexo. Nós da Vibre, Mulher!, acreditamos que esse é o caminho do verdadeiro prazer e estimulamos o autoconhecimento para que as mulheres se sintam livres para serem o que querem ser, sobretudo na autoconsciência das possibilidades sexuais.

De acordo com a especialista, a crescente aceitação de diferentes padrões, tipos corporais e estéticos tem contribuído bastante para a maior liberdade sexual dessa geração.

“Grandes marcas estão aderindo em suas campanhas modelos que representam corpos gordos, pretos, com pêlos, etc, junta-se isso ao fato de estarmos falando de uma geração hiperconectada, então todas aquelas etapas da conquista que as gerações anteriores tinham que passar são abreviadas.”, exemplifica.

Geração dos aplicativos

Os Gen Z são seres completamente digitais, também pudera, eles não tiveram que se acostumar com os avanços tecnológicos, pois já nasceram sob essa realidade.

Aqueles nascidos entre 1996 e 2006 foram os primeiros a entrar na adolescência com o Instagram, inventado em 2010.

Para eles é extremamente natural encontrar tudo nos aplicativos, inclusive relacionamentos.

“Sempre que estou solteira baixo todos os aplicativos possíveis de paquera, saio com algumas pessoas e acabo enjoando da dinâmica por um tempo, sossego, volto para o app e fico nesse looping até encontrar alguém bacana para namorar. Agora estou em um relacionamento, quase sempre parte de mim a iniciativa de dar o próximo passo. ”, descreve Jéssica Tadash, uma mulher bi, mais Z impossível.

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Foto: Canva

 

Amanda conclui que por serem muito autocentrados e focados no trabalho, muitas vezes o contato físico com outras pessoas se tornam mais raros, na maioria das vezes mediados por telas. 

Tudo pode ser feito a qualquer momento rapidamente, sem muito esforço, nem suspense.

Nudes, vídeos pornográficos e sexo online são completamente naturais. Estamos falando da geração da velocidade, da conectividade, que não pode “perder tempo”.

“Como são nativos digitais, aprenderam a se relacionar dessa forma com poucas palavras, quase sempre abreviadas, emojis, áudios acelerados, conversas sempre interrompidas por outras tarefas. São muitos hábeis para esse tipo de relação e pouco habilidosos para investir em relações presenciais, com todos os riscos envolvidos. Podemos pensar também como uma forma de se protegerem”, explica.

Ela acrescenta que do ponto de vista da comunidade psicológica é perceptível que essa dificuldade de esperar, com baixa tolerância à frustração, faz com que muitas vezes a geração Z acredite ser real tudo aquilo que vem das redes sociais.

 

Das telas da geração Z para a vida

Como as relações (amizade, relacionamentos, trabalho) são muito baseadas no online, muitas vezes os jovens da geração Z acreditam nos recortes das redes sociais como sendo pura realidade – pois é a que eles têm mais acesso – e pensam ser a única pessoa que passa por dificuldades, que apenas sua família tem problemas, e por aí vai.

A psicóloga percebe que é também uma geração individualista, que quer reconhecimento sem ter que se esforçar para isso. Pregam autenticidade, sem assumir uma posição.

Há uma constante flutuação entre as diversas possibilidades, que por um lado pode ser positivo, por outro pode gerar um campo de intenso sofrimento.

Se considerarmos todas essas características, faz sentido pensarmos que no campo das relações amorosas os ‘zenials’ evitam se envolver para evitar sofrer.

Em alguns casos por influência das relações amorosas de seus pais, vistas como fracassadas, ou infelizes. Portanto, não podemos colocar tudo na conta dos aplicativos, mas sim no momento histórico social em que vivemos.

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Foto: Canva

 

Geração Z e o conceito ‘Fast sex, slow love’

Conectados, eles não querem assumir vínculos mais profundos e preferem o sexo rápido pelo prazer imediato. A famosa expressão fast sex, slow love (rápido para transar, devagar para amar, em tradução livre) é um conceito que os representa bem.

O que não significa que eles transem muito, eles apenas têm mais liberdade para isso: transarem sem preocupações além do próprio desejo.

A psicóloga afirma que todas essas características e as altas expectativas de reconhecimento/aceitação vão na contramão do que é necessário para investir em relações amorosas.

Quando decidimos nos relacionar, decidimos assumir riscos – risco de ser rejeitado, de não ser correspondido, se frustrar, se decepcionar, demostrar alguma vulnerabilidade, ser exposto.

Em conclusão, estamos diante de uma geração que é mais da quantidade, multitarefa, do prazer imediato, assim não sobra espaço nem disponibilidade para aprofundar relações.

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