Tudo que você precisa saber sobre Câncer de Mama

O mês de Outubro chega e com ele a cor rosa. O mundo todo usa esses 31 dias para conscientizar mulheres sobre o Câncer de Mama, um dos tumores que mais causa mortalidades no público feminino.

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), em 2019 o Brasil teve 59.700 novos casos de câncer. Porém, com o diagnóstico e tratamento precoces, as chances de cura chegam a 97%. 

Para responder às perguntas das seguidoras da Vibre, Mulher! e falar mais sobre o câncer, conversamos com a doutora Carolina Muhlberger, mastologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo e Grupo Leforte Oncologia.

  1. Câncer de Mama é o que mais acomete mulheres no Brasil. Isso se dá por que mulheres tem seios?

    O principal fator de risco para o câncer de mama é o fato de você ser mulher e estar envelhecendo. A partir dos 40 anos, as células começam a ficar mais velhas, assim como nós, e podem acontecer erros de replicação. Os tumores costumam aparecer acima dos 40 anos, mas antes disso também pode acontecer. Portanto, fique atenta!

  2. A replicação pode causar um tumor benigno, um nódulo?

    Pode. Existem tumores comuns nas mulheres que chamam 
    fibroadenomas.
    Eles são nódulos benignos formados por grupamento de células do parênquima (tecido mamário) com um pouco de gordura que encista e forma uma bolinha benigna.
    Não vai se transformar em câncer nem aumenta o risco, mas deve ser controlada com ultrassom, exame físico de 6 em 6 meses para ver se não cresce demais, se não mascara um tumor por perto ou se não incomoda. Geralmente aparecem nas mulheres jovem de 25 a 35, fase com alta carga hormonal.

  3. Existe algum destes nódulos que podem levar ao câncer?

    Antigamente se falava de displasia mamária, mas hoje não se usa mais o termo. São lesões de risco, lesões que não vão virar câncer, mas que mostram que há um risco. Nesses casos precisa de um acompanhamento mais de perto. Em uma biópsia (exame que analisa uma amostra de tecido para descobrir o que é), tudo que vem escrito atípico pode virar um câncer daí muitos anos, mas pode ser que nunca vire nada, então vale a pena remover ou dar uma medicação.

  4. Uso de anticoncepcionais ou hormônios podem levar ao câncer?


    Hoje em dias sabemos que o aumento das chances de ter câncer de mama tomando anticoncepcional hormonal não é vero, mas pode aumentar infimamente em algumas mulheres, como aquelas mulheres que tem fator de risco  
    histórico na família de câncer de mama e ovário (principalmente 1º grau: mãe ou filha) ou mulheres que já fizeram radioterapia na região do tórax. Essas mulheres podem optar por um método contraceptivo não hormonal, como DIU de cobre, prata e camisinha. 

  5. Como funciona a questão da hereditariedade e câncer de mama?


    Todo tumor é genético, tem uma falha genética. Hereditariedade é herdar um gene mutado. A Angelina Jolie, por exemplo, descobriu que tinha um gene mutado chamado BRCA, que aumenta em até 80% o risco de desenvolver câncer de mama e de ovário.
    Ela optou por retirar as 2 mamas, fez uma adenectomia (retirar o recheio das mamas, manter pele, aréola e papila) e retirou os ovários. Foi uma ótima decisão, mas algumas mulheres não querem tirar a mama, mesmo que 80 e 90% de chance seja quase uma certeza de que você vai ter. O médico acolhe, aceita a decisão e pode dar uma medicação para prevenir, usada apenas por mulheres que devem, além de alternar a realização de exames. Mamografia, ultrassom, exame físico, ressonância. O físico de 3 em 3 meses, de imagem de 6 em 6 meses.
    Retirar as mamas não é uma garantia 100%, mas conseguirmos 96% de proteção. Pode não ter mais tecido mamário, mas tem célula de gordura e pele, onde há células tronco. Essas células que podem virar outras, como as mamárias. É preciso continuar o acompanhamento depois da retirada, tanto pelo câncer quanto pela prótese.

  6. Quais são os principais sinais?

    O nódulo, detectado no autoexame. Saída de secreções transparentes ou avermelhadas do mamilo  geralmente associadas a nódulos benignos, mas pode ser um alerta para câncer. Inversão do mamilo, aréola e papila (literalmente se retrai para dentro). Repuxamento e tração de pele quando coloca os braços para frente e para trás. Grande parte da mama avermelhada ou com textura diferente. Surgimento de ínguas, gânglios, linfonodos, áreas que ficam na região das axilas e podem estar aumentadas.

  7. Como fazer o autoexame? 

    Coloca a mão atrás de nuca apalpar de dentro pra fora, de fora pra dentro, em toda a circunferência da mama. Observar se você encontra algum detalhe que não estava lá antes e pode ser um sinal. Fazer uma vez por mês, 7 dias depois de menstruação, pois tem menos inchaço e incomodo.



  8. Qual a diferença de sentir um nódulo ou um osso?

    Precisa ter autoconhecimento da mama e do corpo todo. Mamas jovens, com mais glândulas que gordura, as mulheres podem sentir coisas que não são nada, mas pode ser um cisto, uma glândula. É recomendado ir à um médico para ele te explicar o que é normal e o que não é, assim quando for fazer o autoexame de novo, você vai saber o que é normal ou não.
    Por exemplo, a costela é bem dura. Já o nódulo benigno é uma bolinha que vai de um lado para o outro. O nódulo preocupando é bem duro e quando apalpa geralmente ele não mexe, mas existem tipos que mexem. Em todo caso é necessário ir ao mastologista para acompanhar.

  9. Qual a frequência que devo fazer a mamografia?

    Deve ser feita a partir dos 40 anos, uma vez por ano. O exame pega as lesões, microcalcificações, que podem formar um nódulo e podem ser um pré-tumor de câncer de mama. Ela detecta lesões que não parecem no ultrassom, autoexame ou ressonância.

  10. Quais os tipos de câncer?

    Não dá para enumerar o tanto de câncer que temos. Ao fazer a biópsia, precisa do exame anatomopatológico, que fala qual o nome do tumor (já tem ideia de se é mais o menos agressivo), e o imuno-histoquímico, que fala o sobrenome do tumor (se responde a terapia anti-hormonal, quimioterapia, novas terapia, medicação)

  11. É difícil de tratar?

    Depois do câncer de tireoide, o câncer de mama é um dos cânceres com mais índice de cura. Se pega no início, a chance de tratar é 97% e menor é o baque emocional para a mulher. Quando ele é maior de 1 ou 2 centímetros, tem muitas chances de cura, mas precisa de mais abordagens para tratar.

  12. Por que amamentação diminui as chances de desenvolver câncer?

    Quando a mulher está gestante, ela está menos exposta aos hormônios femininos como o estrogênio, pois não está ovulando. Se a mulher tem várias gestações, diminui a exposição do estrogênio na mama. Na amamentação isso também acontece, mesmo que possa ovular. Gestar e amamentar por mais de 6 meses torna a mama mais madura. As células ficam menos predisponentes a sofrer mutação e replicação errado. Não é uma proteção 100%, mas é algo que pode ajudar. 

  13. Prevenção

    Mamografia anual a partir de 40. Conhecer seu corpo, sua mama, saber o que é normal ou não. Ir no ginecologista e mastologista . Atividade física 3 vezes por semana. Caminhar 30 minutos 3 vezes por semana previne em até 4 vezes em relação a quem não faz atividade. Se alimentar bem, evitar fast food e ingerir alimentos como linhaça dourada, ômega 3, maçã, uva, Castanha do Pará e blueberrys.