Shibari: não foi nada do que eu imaginei

Dia 18 de janeiro eu fiz uma sessão de shibari com Amauri Filho, rigger e artista (@liononadiet) que já trabalhou com a Sabrina Sato, e fui fotografada por Aileen (@aileenrosik), namorada do Amauri acompanhou todo o trabalho e tirou as fotos.

Foi totalmente diferente do que eu imaginava. Não foi sexual, também não senti que foi sensual, muito pelo contrário. Foi um processo meditativo, muita reflexão.
Saí da sessão cansada. Cheguei em casa e dormi. Passei o resto do dia pensando sobre meu comportamento perante algumas questões da vida. E continuei nesse fluxo durante muito tempo.

Somente uma semana depois me senti preparada para falar sobre. Foi uma semana introspectiva, de muita reflexão, de olhar para dentro.

O Amauri perguntou se eu tinha problemas de saúde, o por quê de eu ter procurado o shibari e como eu gostaria de ser amarrada. Também perguntou sobre a música ambiente. 

Pedi para que, como um artista, fizesse conforme ele sentisse. Contei sobre a minha história com a descoberta da minha sexualidade, a mesma que eu já contei aqui.

Fui com uma expectativa de ser amarrada de forma sensual ("oba, terei fotos para o Tinder") e essa parte eu não contei pra ele. Primeiro fui amarrada na posição "abraçando as pernas", encolhida como uma pedra. Uma posição que deu uma sensação de proteção.

Depois ele desfez e reiniciou a amarração. Logo ele deixou minha barriga toda deformada e em destaque. Justo a barriga, a parte do meu corpo que eu menos gosto. Minha bunda, que hoje tenho um grande orgulho (devido aos treinos de musculação) e que de vez em quando colocava uma foto no meu Instagram pessoal, ficou lá, virada para o chão. Conforme ia sendo amarrada, me sentia cada vez mais vulnerável. A música e o desconforto da pressão das cordas me ajudaram a entrar em concentração para um olhar introspectivo.

Ficamos em silêncio praticamente o tempo todo. Apenas era quebrado quando eu precisava avisar que algum ponto estava doendo além do limite. Amauri desfazia, afrouxava ou ajustava a amarração.

Teve um momento que pedi para ele tirar o cabelo que estava caindo nos meus olhos. Ele amarrou e prendeu para cima, o que tornou tudo ainda mais interessante. Limitou ainda mais meus movimentos, qualquer deslocamento fazia doer o couro cabeludo. Mas, confesso que foi muito gostoso.

Não me sentia bonita, muito menos sensual. Foi um processo totalmente diferente do que imaginei. A Aileen foi registrando alguns dos momentos.

A parte mais difícil foi quando fui tirada do chão, erguida pelas cordas. Doeu bastante a perna direita que estava amarrada dobrada.

Depois que fui solta, Amauri me deu tempo para voltar aos poucos do meu processo introspectivo. Ofereceu água e me deixou a vontade. Em seguida conversamos mais um pouco sobre o processo.

Desde a hora que cheguei até o momento em que fui embora, deve ter durado cerca de 2 horas.

Agora, sobre a minha experiência pós-shibari:

Devo primeiro deixar claro que esse é o relato da minha experiência, não significa que vai despertar o mesmo nível de reflexão em vocês, caso façam.

Após a sessão, fui para casa e dormi. Acordei com um sonho/pesadelo que se tornou premonitório, de alguma forma uma preocupação que eu tinha no meu subconsciente veio a tona e se tornou realidade naquele mesmo final de semana. Essa "coincidência" me deixou muito assustada.

O sonho e mais toda a reflexão que a sessão me possibilitou me deixaram pensativa e "em outro planeta" por toda a semana. No dia da sessão, eu tive um aniversário para ir a noite, pedi um lanche e não consegui comer mais que duas mordidas. Fui embora antes do previsto, era um dia introspectivo.

No domingo, dia seguinte ao shibari, tivemos o primeiro evento da Vibre, Mulher!, somente saí de casa para o evento, que foi incrível e consegui socializar e me conectar com todas as mulheres presentes.
Na semana que seguiu eu não tive vontade de socializar, de sair. Não estava para papo.
Foi uma semana que olhei muito para dentro, refleti sobre alguns comportamentos e atitudes que estava tomando na minha vida atual. Fiz alguns ajustes no que eu achava que devesse mudar, me livrei de algumas culpas.

Duas semanas após o shibari, senti que tive um crescimento acelerado enquanto ser humano. Um desenvolvimento condensado do meu autoconhecimento.

Se recomendo? Muito! Mas é importante ser capaz de lidar com tudo que a sessão pode te despertar.