Pornografia: quais os prós e contras de consumir filmes eróticos

Você já deve ter acessado um site de vídeos pornô, querendo ou sem querer.

Hoje em dia a internet facilita muito o acesso a esse tipo de conteúdo. Vários sites estão aí com coletâneas totalmente grátis para todos os tipo de fetiche e vontade.

Porém, o debate sobre o uso de “vídeos adultos” na vida sexual vem crescendo a cada dia. Você já pensou em?

  • Qual o impacto desses vídeos na mente das mulher?
  • Qual o impacto deles na mente dos homem?
  • O que o contato com esses vídeos afeta no desenvolvimento de crianças/ adolescentes? 
  • Como é a vida por trás das câmeras?

Ao longo deste texto, vamos tentar esclarecer algumas dessas questões e no final, falamos os prós e contras. Vem comigo!

A indústria

A pornografia existe em vários estilos, mas o que mais conhecemos hoje em dia são os vídeos na internet. É fácil acessá-los e alguns sites já consagrados como PornHub disponibilizam vários vídeos por dia.

Existem vários tipos de vídeos com tudo que você consegue imaginar, mas não vamos falar disso hoje, mas sim da parte crucial: atores e atrizes, principalmente das mulheres. 

A ex-atriz pornô Mia Khalifa trouxe a tona recentemente o debate sobre como as mulheres são tratadas na indústria pornográfica. Sua carreira na área durou apenas 3 meses, mas já foi suficiente para mexer de vez com a vida dela. 

Segundo ela escreveu em suas redes sociais, "esses 11 vídeos vão me assombrar até eu morrer, e eu não quero que outra garota passe por isso - porque ninguém deveria". 

Seu vídeo mais famoso é um em que ela usa hijab, o lenço que mulheres da religião muçulmana usam.

Na época ela alertou os produtores que isso teria consequências horríveis para ela, mas eles apenas ignoraram e ela se sentiu intimidada.

A consequência foi ser desligada totalmente de sua família e até ameaçada de morte por grupos como o Estado Islâmico.

Quando vemos um pornô, não paramos para pensar no trabalho por trás daquilo. Segundo Patrícia Kimberly, garota de programa e atriz pornográfica, a mulher nos set de filmagem é vista como um objeto.

Apenas aquelas que já tem mais anos de carreira tem alguma voz para impor vontades como: ter prazer real, usar camisinha ou interromper cena.

Diretores, produtores e câmeras são geralmente homens, tornando o ambiente ainda mais hostil e quem diria passando uma visão muito masculina do sexo.

Segundo Katharine Madrid, atriz e acompanhante, explicou ao canal Spotniks, ela defende o pornô dizendo que é só encarar o filme com profissionalismo e deixar tudo combinado antes, o que pode ou não pode. Porém, não há um contrato de trabalho ou algo que dê uma segurança trabalhista para ela.

Além disso, encarar com profissionalismo não anula que podem acontecer agressões no meio do caminho, além de silenciamento e opressão.

Consequências para quem vê

O pornô, além de trazer consequências para quem trabalha nele, afeta quem assiste. Sim, sabemos que ver filmes pornô são uma forma de ficar com tesão, fazer um siririca gostosa ou até para assistir em casal para apimentar a relação, mas ele também é gatilho para inseguranças e agressões veladas.

Mulheres

Grande parte das atrizes da indústria pornográfica também alimenta um mercado que lucra com a insatisfação feminina: cirurgia plástica.

Além dos procedimentos clássicos, como peito, bunda, lipoaspiração, uma cirurgia que vem crescendo muito nos últimos anos é a labioplastia (também chamada de ninfoplastia). Ela diminui o tamanho dos lábios vaginais para ficarem mais "bonitos" e traz consequências como dores, perda da sensibilidade e libido. O estilo mais pedido é conhecido como Barbie (lembrando que ela é uma boneca de plástico sem genitais). 

Esse tipo de cirurgia vem crescendo muito no público adolescente. Elas acreditam que só assim podem conquistar uma homem na cama, como o pornô reafirma.

Esse é o reforço negativo que os filmes causam: a mulher nunca vai se sentir segura de si e do seu corpo, não estará a vontade com seu parceiro.

Ideias do que é sexo também são criadas com esses filmes. Coisas como pouco oral em mulheres, gemidos altos, tapas e insultos. Tudo bem você gostar dessas coisas, mas o que precisamos entender é que não é algo obrigatório no sexo. 

Homens

O maior público dos pornôs ainda são os homens, que começam desde cedo a serem bombardeados com esses conteúdos.

Eles, apesar de menos influenciados por questões estéticas, também veem homens no padrão com mulheres lindas e acham que só daquela forma podem conquistá-las.

Além disso, em todos os filmes eles veem homens aguentando uma ereção por muitos minutos, às vezes horas. Na realidade não é bem assim que funciona. Homens não precisam ser máquinas viris de sexo.

Segundo o livro “Sexo: O guia do homem”, três em casa quatro homens terminam de fazer sexo poucos minutos depois de começar, enquanto as mulheres precisa de 15 minutos ou mais para ficarem excitadas e terem um orgasmo. 

O que nos leva a outro problema: o homem no pornô não vê interesse nas preliminares e o homem na vida real vai reproduzir esse estereótipo.

Lá se vão o oral gostoso, a massagem, as preliminares e o beijo envolvente.

Crianças 

Crianças e adolescentes acabam indo parar em sites pornô por influência dos amigos ou até sem querer.

Esse tipo de conteúdo acabou tornando-se o manual de educação sexual de muitas crianças, uma vez que esses assuntos ainda são tabus nas família e até na escola.

Eles e elas começam a absorver desde cedo todos esses estereótipos falamos acima, moldando os homens “machões” e as mulheres “inseguras” de amanhã. 

Pornô deixa de fora como é criar um relacionamento com alguém. O que é carinho e o que é agressão. Além de questões de saúde, como a necessidade do uso de preservativo contra IST’s.

Todos esses assuntos são deixados de lado, resumindo o ato sexual a uma metelança, abuso de poder e nenhum contato emocional.

Essas são questões importantes para a mente de uma criança que está formando o cérebro e a visão de mundo. Ela precisa de informação de qualidade para aprender que o mundo sexual vai muito além de um pornô.

Recentemente o governo da Nova Zelândia fez um vídeo muito importante sobre o consumo de pornografia por crianças. Nele, vemos como pais e mães podem discutir esse assunto e ajudar no desenvolvimento sexual das crianças. Confira aí embaixo. 

Além disso tudo, o pornô pode acabar normalizando agressões e atitudes de abuso. Por mais que existam vários fetiches que envolvam dor, dominação, o casal envolvido precisa estar de acordo com aquilo, principalmente a mulher, que geralmente é a que sofre esse tipo de agressão.

Ah, sempre bom lembrar: tudo depois do NÃO é abuso.

Porno feminista

Uma nova vertente de pornô vem conquistando o mercado nos últimos anos.

Conhecido como pornô feminista (mas que de feminista não tem muita coisa), esse novo formato de vídeo busca trazer novas formas de atuação para o público.

Além de incentivar um corpo técnico com mulheres (diretoras, produtoras, câmeras), geralmente vem com uma narrativa mais extensa e profunda, além de igualdade no prazer de homens e mulheres.

É um porno voltado para o publico feminino mas que pode facilmente agradar todo mundo!

Mas, segundo a diretora de pornôs Erika Lust explicou à Universa, "pornô para mulheres não significa sexo leve e com rosas. Isso me mostra como poucas pessoas compreendem a sexualidade feminina".

Ao contrário do extenso e de fácil acesso pornô que estamos acostumadas, para assistir aos filmes de Lust, por exemplo, você precisa de uma assinatura mensal de 35 dólares.

Além de Erika, o mercado nacional também está a todo vapor com as produções de Dread Hot.

Prós e contras

Aqui você pode tirar suas próprios conclusões sobre o pornô! E mais ali embaixo eu deixei algumas ideias do que você pode fazer para substituir os filmes pornôs!

Prós: 

  • Dá uma aula de anatomia feminina e masculina (mesmo que o autoconhecimento seja indispensável);
  • Pode te ajudar a aprender mais sobre diferentes posições e manobras no sexo; 
  • Ajuda a dar uma apimentada na sexo com o crush, alimentando a imaginação e as fantasias;
  • Pode ser um incentivo a mais na masturbação;
  • Quebra tabus e preconceitos como o sexo anal (mesmo que raramente usem lubrificante, que é essencial) e relações entre pessoas do mesmo sexo.

Contras

  • Transforma a mulher em objeto e reafirma o machismo;
  • Mexe com a autoestima de homens e mulheres;
  • Traz uma ideia errada sobre o que é sexo;
  • Torna-se uma educação sexual nociva para crianças e adolescentes;
  • Continua alimentando a mídia e gerando empregos perigosos para mais atrizes e atores;
  • Normaliza agressões.

Então o que usar?

  • Contos eróticos: aqui na Vibre, Mulher! temos nossa própria coletânea de vídeos
  • Áudios eróticos: existem tanto no Spotify quando no Youtube!
  • Livros eróticos: são ótimos para deixar a imaginação se aventurar nas cenas. Além desses, tem também "A Garota do Calendário" de Audrey Carlan, "After" de Anna Todd e "Vênus Sobre a Concha" de Carol Wolter.
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  • Séries e filme: algumas séries e filmes tem aquelas cenas mais quentes que dão um fogo gostoso na nossa mente na hora da siririca e do sexo. Alguns que a gente conhece são: Game of Thrones, Diário de uma Paixão, 50 Tons de Cinza e Outlander.

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