Vida: se só há uma, aproveitemos!

por Isis Fiori

 

Sexta, oito da noite. Disse para ele que estava sozinha. O rapaz propôs que viria me fazer companhia e beber, aceitei na hora — Nunca havíamos nos visto antes — Aliás, trocamos algumas palavras em três meses.

Às vezes sou vista como insensata, mas na verdade sou apenas uma alma livre que em meio ao caos, tenta sentir em essência as pequenas coisas da vida.

Ramon, assim que vou chamá-lo, me pareceu alguém com características em sintonia às minhas, se penso nele como objeto, me chama atenção o piercing no mamilo. Há alguns dias pensei na possibilidade de transarmos, e de fato, aquele pequeno detalhe de metal me fez fantasiar algumas cenas.

Não costumo transar com desconhecidos, não que ele seja um, mas a imagem que eu tinha do rapaz se resumia à simulacro: estático, fotografia, representação distante, mesmo que a apenas alguns quilômetros. Conjeturas à parte, transar em essência se exige duas coisas: pau e/ou boceta. A noite seria longa com vinho, goles d’água, dedos e muita língua.

Ele foi recebido por uma mulher nua, nua aqui não se refere somente a corpo, mas à vulnerabilidade: sem batom e sutiã, descalça. Após alguns goles de vinho, Isis — que minutos atrás você não conhecia — estava em pé quando o recebeu. Ele, antes de tudo, a beijou na boca.

Beijar na boca, ato de tocar com os lábios, sentir com a língua. Saliva, fluido — porta de entrada para um mundo de possibilidades tangíveis e intangíveis, sexo.

No balcão da cozinha ele começa a preparar o beque, encosto à frente e digo que a noite vai ser memorável — "Talvez a mais aleatória da sua vida" — disse enquanto abria a garrafa de vinho e servia.

O tapete da sala foi o primeiro cenário. Eu, minimamente sóbria, mas totalmente de acordo, fui logo tirando a calcinha enquanto ele me ajudava, claro! Ramon tinha um jeito encantador de chupar, me olhava nos olhos, movimentava a língua devagar, fazendo círculos. Ah! Aquele manual de como encontrar o clitóris, parece que foi um aluno aplicado, pensei pouco antes de gemer.

Puta que pariu!

Ele puxou meus lábios com os dentes, a fricção me deu arrepios: “onde ele aprendeu isso, Deus?”

Quem não queria um parceiro dedicado assim? (Imagem: Instagram @regards_coupables)

Enquanto mudávamos de posição, eu disse que não era o tipo de moça delicada.

Gosto de tapas, não precisa ser bonzinho — Ele duvidou, apontando para minha tatuagem de flores no ombro direito. Não refleti sobre o espaço que há entre ser mulher, suave e doce, mas que ao mesmo tempo quer uma foda suja e com vontade, não que haja algo de errado nisso, muito pelo contrário!

Sem hesitar, Ramon foi com vontade aos seios: irresistível e delicioso objeto de desejo. Sou alta e curvilínea, mas sinceramente, meus peitos são a parte favorita do meu corpo, de tamanho médio e rígidos. Por algum motivo não-humano, tenho a pele macia, mesmo nunca tendo me preocupado com esses pequenos cuidados que meninas aprendem desde muito novas.

Sensações em todos os lugares (Imagem: Instagram @regards_coupables)

Ele pareceu gostar, pois engolia, chupava e mordia. Um compasso de ritmo crescente, interrompido por meu corpo que se contorcia a cada toque.

— Vou te chupar muito! — disse eu.

— Eu quero, mas não se preocupe tanto comigo, meu maior desejo é te sentir inteira.

Aquilo me deixou surpresa, fato. Outro fato é que fui com mais energia até aquele órgão que me esperava ereto.

Comecei devagar, passando a língua nas bolas para depois terminar na pontinha da glande. Gosto de lamber, de molhar bastante. Ah, contato visual para mim é importante, então mantinha os olhos fixos nele. Agora, com vontade comecei a chupá-lo. Para e cima e para baixo, o vai-e-vem no ritmo dele. Ramon estava em pé, enquanto eu ajoelhada, sentia ele segurar firmemente meu cabelo. Agora, mudo de função, com a mão firme, começo a masturbá-lo, sempre olhando fixamente, minha boca voltou com vontade a chupá-lo mais uma vez, eu não iria sossegar até fazer ele gozar na minha boca, aliás, deixei claro:

— Eu quero a sua porra todinha escorrendo na minha boca, você faz isso por mim?

Por estarmos bêbados, a noção de tempo não existia, talvez eu tenha ficado ali por alguns minutos, mas tudo parecia devagar, um longo filme em câmera lenta, ondulações e vibrações guiavam nosso corpo.

Insatisfeita em somente tê-lo em minha boca, levantei e pedi:

— Quero você aqui dentro, me come de quatro!  disse enquanto me ajoelhava no sofá, totalmente entregue.

Ele colocou a camisinha e foi logo entrando sem delicadeza, eu delirava de vontade, queria sentir cada centímetro dele dentro de mim, na medida do meu desejo. Agora o vai-e-vem ganhou uma nova sensação.

— Me bate! Eu quero essa bunda bem vermelha, vem!

No mesmo instante ele me deu um tapa, e outro… A sensação de ser a cachorra dele me deixava molhada. Adoro ser submissa, faço qualquer coisa na cama! Ele tinha um bom controle do ritmo, e surpreendentemente segurava a ereção me deixando com ainda mais vontade.

Cansada, deitei novamente no tapete, ele foi logo descendo até minha boceta, agora, suavemente movimentava a língua de cima para baixo, e depois em círculos. Recuperada, me ajoelhei e com os dedos comecei a me tocar, do jeitinho que gosto, sempre o provocando. Ele, sentado no sofá me observava enquanto também se masturbava.

Ao me tocar, analisava o rosto dele sob a cor quente das luzinhas da minha sala, e no calor daquela madrugada de verão, Ramon era ainda mais bonito que nas fotos do Instagram, aquele homem, para mim um tanto misterioso, estava na minha frente, à disposição para fazer o que eu queria. Moreno, de cabelos lisos, era um pouco mais baixo que eu, porém forte o suficiente para me segurar firme enquanto cavalgava.

Gosto de lamber o pescoço e a orelha, e sentia que ele também gostava. Que noite! Estava sentindo em cada centímetro do meu corpo o significado da palavra desejo. Era madrugada, mas não estávamos com sono. Em determinado momento enquanto me penetrava ele perguntou:

— Quantas vezes você quer gozar hoje?

— Várias, muitas! — olhei rindo com surpresa.

Ele só sorriu e continuamos.

Deitei no chão e agora, com os dois dedos em minha boceta ele começou a me tocar, foram poucos homens que realmente conseguiram me fazer sentir algo, ele foi um deles, com agilidade encontrou meu ponto G, e foi com força!

Eu estava molhada, ele ia deslizando ao introduzir os dedos: um, dois, três…quatro! Eu queria engolir aquele homem, ele me tinha por completo. Gozei de um jeito diferente, me sentia leve, flutuando como ondas que sobem e descem, sou uma cachoeira e fluo constantemente. ORGASMO!

Não fiquei satisfeita, eu ainda queria senti-lo gozar. Agora com mais tesão, comecei a chupá-lo, massageava seu testículo, descia as mãos até a coxa e suavemente subia com as unhas sentindo a pele eriçar. Que delícia é provocar com vontade! Me senti orgulhosa quando ele, sôfrego, deixou jorrar todo o líquido quente em minha boca, engoli e deixei escorrer, finalizamos com um longo e demorado beijo na boca. Espero vê-lo mais vezes.

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Isis Fiori é uma jovem que experimenta as pequenas coisas da vida e sabe que pro sexo ser bom, antes de tudo, é preciso se amar por inteiro.