Nosso paraíso, minha zona de guerra

por Luna Drummond

Paraty - RJ, em um passado não muito distante.

Vamos refletir sobre conto de fadas? Não, não apenas as histórias românticas de princesas que nos contam para fazermos sonhar com o tão almejado príncipe encantado.

Vamos falar de todos os contos de fadas, que goela abaixo nos enfiam em filmes românticos com finais felizes de encontros inesperados em lugares paradisíacos.

A vida não é um conto de fadas. Nem sempre finais felizes existem. Mas eis meu ponto: precisa o fim ser feliz para não ignorar que todo o resto foi incrível?

Era apenas um fim de semana para curtir a praia e relaxar de todo o estresse do trabalho. Trocar a correria de uma metrópole pela paz de estar em contato comigo mesma na praia.

Foi quando eu o vi pela primeira vez, saindo do mar, malhado, másculo e repleto do clichê de um filme romântico de Hollywood acontecendo na minha frente. Ele sorriu para mim ao perceber que eu o olhava. 

Provavelmente apenas mais um cara que se achava por sua aparência padrão, enquanto eu, insegura, tentava esconder estar de biquíni em plena praia, onde todos estão da mesma forma que eu estava, ou pior.

Ele continuou olhando em minha direção mesmo indo se sentar em sua cadeira um pouco distante de onde eu me encontrava. Eu comecei a rir da cena de comédia romântica tosca que estava vivendo: o gostosão interessado na desajeitada. Clichê!

Fui em direção a água, tentando manter uma pose. Afinal, eu estava flertando, não é mesmo? 

Resolvi dar um mergulho e assim que volto a superfície vejo que o tal cara bonito estava se aproximando de mim.

A água está bem quente, não? ele puxou assunto.

Verão, né? eu ri achando completamente engraçado a forma como ele flertava como um tio que joga dama na praça.

Você tem boas habilidades de natação. ele disse sorrindo.

Foi só um mergulho... eu disse não acreditando na péssima abordagem que ele tinha. Joana, e você? lhe perguntei estendendo minha mão para cumprimenta-lo.

Henrique....

Por incrível que pareça, Henrique até que era uma pessoa legal. Veterinário, também era do Rio de Janeiro e estava ali para aproveitar o aniversário de um amigo. Me juntei ao grupo dele e juntos dividimos algumas garrafas de cerveja entre risos e conversa boa. Definitivamente o tipo de rolê que eu precisava naquele momento. 

Nos divertimos muito naquela tarde, assistimos a um lindo pôr do sol e no fim da tarde, já esgotados, trocamos números de telefone:

Queria curtir mais vezes com você... ele disse depois de anotar seu número em meu celular e eu fazer o mesmo no dele.

Só me chamar... eu disse rindo, já meio tonta pela quantidade de bebidas que tínhamos tomado.

Cheguei em meu hostel toda feliz. A dona, que sempre estava na recepção logo percebeu.

Ih.... Viu o passarinho verde... brincou.

Sabe quando você encontra uma galera super na mesma vibe que você? Curtindo o mesmo que você, se divertindo junto como se conhecessem há anos mesmo tendo acabado de conhecer? Então.... Esse foi meu passarinho verde. Contei, sabendo que ela adorava ouvir minhas histórias de turista perdida em Paraty.

Naquele dia, mais tarde, Henrique me mandou uma mensagem perguntando se eu queria tomar sorvete.

Eu não nasci ontem. Sabia que onde quer que esse sorvete estivesse, ninguém ia simplesmente tomar sorvete àquela hora da noite.

Me arrumei, passei um hidratante, me perfumei e fui animada ao meu date.

Está indo aonde essa hora? a dona do hostel perguntou.

Ah... Vou... Tomar sorvete... disse confusa me perguntando porque eu me abria tanto com ela.

Ah sim... Os sorvetes da sorveteria que fica aberta até meia noite são uma delícia... Fica perto da praia. ela comentou. Mas não vai pra praia essa hora não! É perigoso... ela me aconselhou, parecendo minha mãe.

Pode deixar... sai rindo enquanto batia a porta da entrada.

Marcamos de nos encontrarmos na rua que dava para a praia. Mesmo sabendo que era apenas um pretexto, eu jurava que iriamos na sorveteria primeiro. Sei lá, conversar mais, sabe?

Mas Henrique me convidou para andar na areia… Sim.... Joguei o conselho da moradora da cidade, dona do hostel no lixo e lá fui eu, para mais uma cena do filme clichê que tinha se tornado a minha vida. 

Henrique me contou o que para mim pareceu como a vida inteira dele: sua relação conturbada com a mãe, o carinho pela irmã mais nova, as dificuldades em ter que lidar com o Alzheimer da avó. Tudo embalado pela trilha sonora escolhida por Iemanjá, soltando a melodia das ondas tocadas por aquele mar.

O céu estava incrivelmente estrelado. Como ali estava afastado parecia ser ainda mais imenso e brilhante o brilho de cada estrela.

Acho que já andamos muito... eu disse vendo a distância que estávamos de onde entramos para a areia. Vamos sentar aqui... joguei meu chinelo para sentar por cima, não protegendo muito da areia por fim.

E ali continuamos conversando, trocando experiências, confidências, histórias. A todo momento, eu observava Henrique, suas reações, seu entusiasmo ao contar suas histórias, a forma como ele ria de si mesmo e de suas situações.

Em determinado ponto, pareceu que a conversa apenas desapareceu. Ficou aquele clima tenso entre os dois. Mas ele apenas me olhou, olhou diretamente nos meus olhos como quem pedisse permissão para tudo o que iria acontecer dali para frente. 

Não foi preciso palavras, existe um momento entre o desejo e o tesão que como alguma reação química simplesmente explosiva se torna clara o suficiente para os envolvidos.

E como quem entendeu minha resposta silenciosa, Henrique apenas colocou sua mão em meu pescoço, me puxando para um beijo caloroso. Sua língua era fervorosa contra a minha e eu sentia que só de estar ali, naquele momento, o tesão se multiplicava por mil.

Os beijos dele desceram de meus lábios para meu pescoço. Suas mãos fortes e precisas entraram por minha blusa buscando aflitas por meu peito, apertando eles como se eu fosse alguma massa de pão a crescer.... Um pão de pura excitação…

Sua boca logo começou a suga-los, assim que ele levantou minha blusa, não me deixando completamente nua, mas me mamou como se tivesse fome. Fome de mim.

Naquele momento eu já não me importava mais se alguém poderia ver a gente, eu só queria sentir aquela sensação. Ele era preciso no que fazia, ele sabia o que estava fazendo e assim como nossa conversa, a habilidade dele com meu corpo fez parecer como se nos conhecêssemos a anos.

Henrique tornou a me beijar, desabotoando meu short e puxando, me deixando apenas de calcinha. Ele beijou meu peito de novo. Com suas mãos firmes sobre eles, desceu seus beijos por minha barriga, beijando minha buceta por cima da minha calcinha, observando minha reação ao seu toque. 

Ele habilmente afastou o tecido rendado e começou a chupar meu clitóris como se sua vida dependesse daquilo. A sensação de prazer que aquele momento me trazia era de outro mundo. Me senti viajando na sensação de sentir sua boca sugar todo meu mel. Olhei para o céu e fui abençoada com o mais belo quadro que nem Van Gogh poderia ter imaginado. 

A lua estava imensa sobre meu corpo trêmulo, o som do mar era cortado apenas por minha respiração ofegante e meus gemidos.

Ele subiu novamente, tornando a me beijar. Ele se sentou sobre a areia, eu sorri maliciosa, olhando em seus olhos, vendo exatamente o que ele queria. Continuei a beijá-lo, passando minha mãe sobre sua bermuda, sentindo toda a extensão do seu volume. Eu sentia cada vez mais vontade de ter aquele homem dentro de mim. 

Desci minhas mãos por seu peito e abdômen, observando detalhe por detalhe do desenho do seu corpo. Minhas mãos liberaram seu pau de dentro daquela prisão, e eu sorri ao ver todo aquele volume, subi e desci minhas mãos, o provocando, enquanto mordia meus lábios. Logo cai de boca, sentindo o gosto dele, o umedecendo e sentindo o tesão me deixar ainda mais molhada. 

Ele se levantou novamente, pegando minhas pernas firmes e as arreganhando para ele, se ajoelhando de frente para mim. Eu olhava ofegante quando ele novamente lambeu minha vulva, seguindo por colocar seu pau com tudo dentro de mim. Me dando estocadas fortes. A cada choque do seu pesado corpo sobre o meu, eu sentia que poderia me quebrar a qualquer momento, mas não... aquilo não me machucava, pelo contrário, só me dava ainda mais tesão.

Ele se deitou sobre meu corpo, entrando e saindo de mim, me abraçando enquanto jogava todo seu tesão para meu corpo. Olhei novamente para o céu, a procura de uma estrela cadente, que realizasse meu desejo de que aquele momento não terminasse nunca.

Ele saiu de cima, para mudarmos posições. Me sentei sobre ele, sentindo meu corpo explodir de prazer, deslizando sobre ele, sentindo seu pau preencher minha vagina, tocar meu ponto g, seu corpo tocando meu clitóris. Eu gemia feito louca, esquecendo completamente que estávamos apenas em uma praia de noite, sozinhos, até segunda ordem…

Eu me agachei sobre seu corpo, o beijando, ainda sentando sobre seu corpo. Me arrepiei toda com aquela sensação de êxtase me invadindo por completo, meu corpo ficou trêmulo e gozei, me derretendo sobre Henrique, ele me segurou, e continuou a me penetrar até que chegou também a seu orgasmo.

Estou o próprio frango empanado.... Eu disse rindo, colocando minha roupa e batendo a areia que estava grudada por todo meu corpo. Aquilo levaria tempo para sair.

Estamos…

Cheguei no hostel em êxtase, sorrindo novamente. Dessa vez, não tinha visto apenas o passarinho verde. Era como se eu tivesse enxergado o arco íris inteiro de aves.

Mas como todo belo conto de fadas, um momento chegava ao fim. E para meu clichê de Cinderela, a carruagem retornou a uma abóbora quando no dia seguinte falei que tinha curtido nossa noite e deveríamos nos repetir. 

Como em um teatro ao vivo, vi o drama da fotinho e do “online” desaparecer, dando lugar a apenas mais um “está bem?” com um único check do lado, sabendo que nunca mais ele veria aquela mensagem. 

O medo que eles têm de sempre achar que uma transa casual, se seguida de outra transa casual, já vira paixão....

Aquele era um sinal claro de que nunca mais nos falaríamos... Mas um final decepcionante, digno da série Lost, não precisa excluir tudo o que aconteceu. Não precisa ter um final de Jennifer Lopez beijando Richard Gere para eu saber que foi bom. Foi perfeito, enquanto teve que ser. 

E eu sabia que durante muito tempo a sensação daquele orgasmo paradisíaco continuaria na minha mente, na tentativa de arranjar uma nova história clichê, que fosse o substituir.

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Luna Drummond é jornalista, apaixonada por plantas, bissexual, em uma fase tinderella. Acredita que a chave do amor está em apaixonar-se por si mesma: se amar, para amar a outros.

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