Affair casual

por Luna Drummond

São Paulo. Em um passado não muito distante. 

Era apenas mais um fim de semana na solidão do meu apartamento. E enquanto eu devorava meu terceiro pote de sorvete do mês assistindo filmes de comédia romântica que para mim já não passavam de um compilado de clichês, passava meu cardápio semanal de homens e mulheres em um aplicativo de relacionamentos qualquer. 

Aquela altura do campeonato, eu só tinha uma única regra: não me envolver emocionalmente.

Quando você machuca seu coração com uma série de relações frouxas, com pessoas imaturas que não conseguem ter o mínimo de responsabilidade emocional, você se torna mais objetiva. Tudo bem tentar novamente. Mas aquele não era meu momento.

Naquela noite eu queria gozar. 

Não importasse com quem….

Depois do que para mim pareceu infinitas conversas sem objetivos. Alguém finalmente se demonstrou interessado a levar aquelas conversas para algo a mais. 

Está tendo um festival irado de música popular, bora ir? Ricardo me convidou logo depois de trocarmos telefones.

Devo confessar que música popular brasileira não era lá muito minha praia. Não que eu não gostasse de ouvir músicas assim, mas ir em um festival, para escutar apenas esses tipos de músicas, começava a me parecer um pouquinho demais

Chegando no ponto de local marcado, me senti um E.T. no meio daquela multidão, torcendo para que Ricardo aparecesse logo e me tirasse dali. Aquilo não tinha nada a ver comigo. 

Helena? alguém apareceu segurando meu ombro, me distraindo do meu julgamento do lugar. A entrada é por ali… sorriu o homem alto e magro na minha frente. Sua beleza era singular com seu cavanhaque e seu cabelo cacheado comprido. 

E então, qual é o ponto forte daqui? - disse, rindo de nervoso por ser a estranha no ninho. 

Ricardo andou comigo pelo parque inteiro do festival enquanto contava de sua vida, seus gostos, seus trabalhos, suas paixõe. Por incrível que pareça, eu estava me divertindo bastante, mesmo que as pessoas naquele lugar não fizessem muito meu estilo, eu tinha me sentido tão confortável ao lado dele que era como se eu sempre frequentava esses festivais. 

E então, está gostando? ele disse deslizando a ponta de seus dedos por meu braço, me fazendo arrepiar. 

Confesso que não esperava que fosse ser tão legal. eu disse sorrindo, tomando mais um gole da minha cerveja. 

Sabe como pode ficar ainda melhor, né? ele disse me encarando com olhar malicioso. Me arrepiei só com a forma como ele disse. Levando meus lábios ao dele sentindo aquele beijo calmo, mas cheio de desejo. 

Sempre fui uma pessoa que acredita muito em energia, e aquele momento, aquele encaixe, aquele beijo, aquele fogo que subia em mim, apenas pela pegada que ele dava em meu cabelo me mostrava que a energia de Ricardo e daquele festival era tudo o que eu precisava para animar minha semana. 

Ele desceu sua mão do meu cabelo, deslizando por minha coluna, apenas com o toque suave da ponta de seus dedos, e me deixava completamente arrepiada, soltei um gemido baixo sentindo sua boca encostar em meu pescoço, sentindo meu perfume, me fazendo derreter naquele momento.

Eu não faria isso se fosse você. disse, sentindo o tesão tomar conta do meu corpo.

Por que não? ele disse novamente soltando seu sorriso malicioso.

Eu retribui o olhar malicioso sendo envolvida novamente em um beijo, com ele pegando meu pescoço, encaixando sua mão em meu cabelo e me levando para si. 

Fomos interrompidos por uma criança brincando com a mãe. 

Acho que eis o porque não.. disse rindo de nosso quase flagra. 

Quer ir lá para casa?

Olhei para ele, aquele pedido tentador e lembrei de todos os ensinamentos de mãe, tias, professoras da escola de não aceite ofertas de estranhos. 

Mas, cara…. Estamos na era de tinder…

Menos de 10 minutos depois, já nos agarramos novamente dentro do uber rumo a sua casa.

Chegando lá, o desejo tomava conta de nossos corpos, foi só ele fechar a porta para me jogar contra a parede e levantar minha blusa para chupar meu peito, sua boca eletrizante me fazia derreter em suas mãos. Levei minha mão até seu volume, também o provocando, enquanto ele arrancava cada vez mais gemidos de mim. 

Ele me deitou sobre o sofá da sala, puxando minha calcinha, se metendo entre minha saia e abocanhando minha vulva, provocando meu clitóris. E nesse momento eu era pura fagulha. 

Seus toques eram sempre suaves e certeiros, eram como se cada centímetro de mim entrasse em choque com seu toque. 

Ele me ajudou a levantar tornando a me beijar, enquanto me conduzia para um novo cômodo da casa. Em questões de segundo ele já me deitava em sua cama, arrancando sua roupa e se colocando sobre mim. Ele entrou em minha vagina já encharcada com uma facilidade inexplicável, era como se estivessemos sido feitos para encaixar um no outro.

Seus lábios deslizavam por meu pescoço, me enchendo de beijos enquanto seu tronco subia e descia, trazendo seu peso todo para mim e aliviando. 

Gemidos meus, gemidos deles…

Abafávamos essa melodia sexual com os beijos cada vez mais sedentos como se estivessemos gritando silenciosamente o quanto desejávamos um ao outro. 

Me deixa… Sentar… eu disse maliciosa entre gemidos. 

Ele me deitou tornando a me chupar com gosto. Como se eu fosse uma fruta suculenta dando a ele o doce do dia. 

Ele se deitou sobre a cama e me sentei sentindo ele enquanto comecei a cavalgar sobre seu corpo. Meu corpo eletrizado cada vez mais esperando sentir a sensação de choque de um orgasmo. Tornamos a nos beijar abafando nossos gemidos, intensificando o movimento dos nossos corpos sentindo o ápice cada vez mais próximo.

Ele me virou novamente, se retirando de dentro de mim, se ajoelhando em minha frente, enquanto respirava ofegante, sorrindo por seus toques. Ele gozou sobre minha barriga, logo se inclinando para beber do meu suco novamente. Meu clitóris, a esse momento, já estava extremamente sensível, me fazendo tremer a cada lambida que ele me dava. 

Ele me penetrou dois dedos, estimulando meu ponto G em conjunto, me fazendo contorcer sentindo aquele prazer que me invadia. 

A energia de sua língua me eletrificou intensamente até o ápice de um orgasmo, me fazendo deitar sentindo o corpo trêmulo.

Ele se deitou ao meu lado me abraçando. Dei nele um último beijo. 

Um último beijo do melhor orgasmo que tive. Presente de um Ricardo que provavelmente não veria jamais. Mas tudo bem. Éramos só casuais. E espalhamos nossas energias pelo mundo aí.

_________________________________________________________________

Luna Drummond é jornalista, apaixonada por plantas, bissexual, em uma fase tinderella. Acredita que a chave do amor está em apaixonar-se por si mesma: se amar, para amar a outros.