Alice e Ana descobrindo os pequenos prazeres da vida

por Isis Fiori

Meu nome é Alice e hoje vou compartilhar um momento bastante íntimo e intenso: minha primeira vez com outra mulher. O fato aconteceu com alguém que eu desejava em segredo, e que ainda hoje tenho um carinho muito grande, mesmo que não tenha passado de um fim de semana.

Quinta-feira, véspera de feriado. Mensagem no WhatsApp: 

“Alice, tudo bem? O que você acha de irmos à praia? Como a gente já havia comentado, chamei a Malu, a Ana, minha irmã e o namorado dela. O clima tá gostoso e você sabe que é pertinho. Dá uma olhada nessa casa” escreveu Mateus, um dos meus melhores amigos.

Pelas fotos a casa era linda, muito alta e iluminada.

Topei na hora! 

Bom, não tinha tempo a perder. Fui logo arrumando a mochila: biquíni, chinelo, vestido, VINHO! Mais precisamente vinho rosé da safra chilena, suave e refrescante do jeito que gosto. Sentia que aquele seria um feriado diferente. Minha intuição não erra.

Um único detalhe me deixava ansiosa — a Ana. 

Pausa. 

Ana é o tipo de garota que encanta fácil: falante e criativa, de olhos verdes e cabelos curtos, um pouco tímida, mas nada que a impedisse de fazer charme com aquela pinta sexy na boca, ela sabia muito bem usar aquilo a seu favor. Ana é o tipo cool que mora sozinha, trabalha em agência e faz o que quer quando e onde quiser.

Óbvio que ela saía com outros rapazes, mas nunca ouvi nada sobre garotas. Eu também nunca havia transado com mulheres, mas sabe quando você sente que só não fez porque não teve oportunidade? 

Lá fomos nós descer a serra rumo ao litoral norte. Eu olhava a vegetação e a sombra das árvores em contraste com o sol. Abri a janela do carro e senti o vento sob meus cabelos, estava feliz e satisfeita. Gosto das coisas simples da vida e aproveito cada segundo da melhor maneira possível! 

A casa de fato era enorme, modelo rústico com uma bela piscina, ambiente com janelas sem cortina onde entrava muita luz, parecia ser uma construção antiga. Os móveis eram característicos dos anos oitenta, uma estética que me agrada muito. Estávamos a poucos metros da praia, dava para ouvir o som das ondas. Entrei pela porta da frente e respirei a brisa fresca e salgada do mar. 

Divisão dos quartos: Eu e Ana ficamos no quarto menor onde tinha duas camas de solteiro, no andar de cima. Mateus e Malu no quarto da frente, a irmã dele e o namorado no quarto térreo. Deixamos as mochilas e fomos correndo pegar o fim do dia na praia. Vimos o pôr do sol na areia enquanto pegávamos conchinhas. Ana e eu sabíamos que aquele fim de semana seria diferente, a gente sempre teve uma conexão e naquele momento, mais do que nunca, desejos ficavam em evidência. 

A noite chegou, voltamos para a casa de praia. Mateus e o restante foram para a área externa, Ana foi tomar banho e eu deitei na cama, no quarto ao lado. Ouvia a água do chuveiro caindo e imaginei que loucura seria, se por acaso eu entrasse naquele banheiro. 

Estudei em colégio interno, dividir o quarto com outras meninas não era algo novo para mim, mas querer sentir o corpo de alguém com características tão parecidas com as minhas era de fato a primeira vez. O desejo queimava em mim, e eu rezava para que nela também. 

Sou morena da pele rosada. Cabelos castanhos, lisos e o rosto cheio de sardas. Dizem que tenho uma beleza exótica, mas eu nunca soube ao certo o que isso quer dizer. Não sou muito alta, 1.65m — a mesma altura dela. 

Adoro dançar e faço isso com maestria, talvez por este motivo tenha as pernas torneadas e a cintura fina. Tenho a boca grande e bonita graças à minha mãe, mas se fosse para eleger minha parte favorita do corpo, com certeza seriam meus seios: fartos e macios, não como uma gelatina, mas bem firmes ao toque. 

Eu sentia que ia acontecer, tem coisas que a gente simplesmente sabe. Ana abriu a porta e me chamou com uma desculpa que eu não me lembro agora, pulei da cama nua, peguei a toalha e entrei. Ela olhava para mim sorrindo com aquele sorriso de quem não sabe direito onde vai acabar, mas resoluta de que cedeu à um desejo genuíno. 

Fui logo me molhando, olhava nos olhos dela. A água escorria pelo corpo enquanto levemente senti aquelas mãos em minha cintura. Fechei os olhos e a beijei.


Foi um banho daqueles. (Ilustração: Rafael Lopes)

Nos beijamos com vontade, sentia a rigidez dos meus seios encostando aos dela. Ana tinha a pele branca e macia, seios pequenos e bonitos. Eu era seu espelho e estava totalmente entregue à seus caprichos.

Eu só conseguia pensar no fato de estar naquele box com uma garota linda e incrivelmente habilidosa.

Ana, porquê eu nunca desconfiei? Você sabia o tempo todo, aquela tensão não era só minha. Você me queria no mesmo limite que eu, e ali, naquele instante, te senti inteira. E chupei, lambi e beijei com a vontade de quem tinha pela primeira vez o prazer e a volúpia de uma fantasia intangível.

O banho demorava, Mateus bateu na porta:

— Meninas, hora do rango!

— A gente já tá saindo — disse eu, segurando o riso.

Corremos para o quarto já vestindo a calcinha, no esforço de secar-se o mais rápido possível. Sim, todo mundo sabia, mesmo assim não era motivo simples o bastante para não ruborizar as bochechas, ou de Ana vestir um capuz para não mostrar a carinha de falsa virgem tímida.

Conversamos na cozinha, bebi vinho. Malu, muito observadora, chamou todos para o andar de cima, sabe se lá para fazer o quê, me deixando sozinha na sala.

Sentei no sofá e acendi um cigarro, à meia luz. Cenário perfeito, não? Em minha caixinha portátil coloquei “Is This Desire?”, da PJ Harvey para tocar. Aquilo no banheiro foi só um prelúdio.

Ana veio da cozinha fazendo biquinho com uma colher de brigadeiro na mão, se jogou ao meu lado e enfiou o doce em minha boca.

— Quero que você chupe meus lábios agora — eu disse no instante em que apontava para minha boca olhando seriamente em seus olhos.

Ana, ainda lambendo os dedos de brigadeiro, com a ordem imediata, não teve o que pensar: molhou a língua e grudou em meus lábios: de cima para baixo, de baixo para cima; friccionava e chupava.

Não resisti e a puxei para o meu colo. Agora, quem toma o controle sou eu e, ainda disfarçando a surpresa do novo, mostrei que tenho caprichos obscuros não suficientes para que um homem atenda-os por completo.

Coloquei os seios de Ana em minha boca. Enquanto ela suspirava relaxando os músculos, meti os dedos sob sua calcinha molhada e fui logo esfregando na medida em que ardia o calor em mim. Ambas agora totalmente nuas, deitamos no tapete. Sem saber ao certo como, mas seguindo o instinto maior que qualquer modus operandi, unimos nossa carne e fluidos em minutos que eram horas.

Agora me afasto, puxo seu cabelo com força até minha boceta:

— Me chupa bem fundo! Quero sua língua molhada me engolindo.

Só precisava de uma oportunidade (Imagem: Reprodução/ Instagram @regards_coupables)

Ana, submissa como nunca imaginei, conduziu o ato com avidez de quem sabe o que faz. Fechei os olhos e deixei de conjeturar sobre possibilidades e motivos passados. Àquela altura, não cabia a mim pensar em algo que não fosse exatamente o instante — agora.

Ana gemia baixinho enquanto eu sentia a força de uma barragem rompendo em minhas pernas.

Sim, gozei na boca dela, aquela imagem me excita enquanto escrevo. Mulher tem um jeito diferente de gozar quando com o mesmo sexo, perde-se a performance teatral muitas vezes ensaiada em fantasias vistas na tevê. O inconsciente medo da expectativa masculina não existia, e juntas sentimos cada milímetro do significado de prazer.

Em êxtase, e talvez na transa mais intensa dos meus 24 anos, me deitei com a cabeça entre as pernas dela. Tentando ser o mais delicada possível, puxei seus pequenos lábios, na técnica intuitiva, esfreguei a língua no clitóris. Vê-la se contorcendo enquanto revirava os olhos me deixou satisfeita. Ana gozou, e foi lindo.

Voltamos ao sofá, ela se aninhou em meu colo, puxei uma manta e dormimos ali mesmo. A memória daquela noite, na casa de praia, não sairá da minha mente tão cedo.

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Isis Fiori é uma jovem que experimenta as pequenas coisas da vida e sabe que pro sexo ser bom, antes de tudo, é preciso se amar por inteiro.

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