A fantasia do encontro

por Camila M.

Nos conhecemos em um aplicativo de paquera. Depois do match e de algumas conversas pelo WhatsApp, sugeri que marcássemos um encontro:

Eu: Vamos combinar de nos encontrarmos em um bar e fingirmos que a gente não se conhece?”

Henrique: “E quem vai chegar em quem?”

Eu: “Não precisa ter uma regra definida”

Henrique: “Você gosta desse tipo de brincadeira?”

Eu: “Não acha que pode ser divertido?”

Henrique: “Hauhauhaua, tá bom... Como vou ter certeza de que é você?”

Eu: “Quando estivermos saindo, a gente troca fotos para sabermos a roupa que o outro está usando”

Henrique: “Combinado”

No dia, recebi uma foto dele vestindo uma camiseta preta lisa e uma calça jeans clara.  Pelo visto teria que reconhecê-lo pelo rosto mesmo. Ele tinha o cabelo castanho, curto, cacheado e meio bagunçado, olhos grandes cor de mel, usava óculos, barba e tinha o nariz grande — sempre tive um fraco por caras narigudos.

Quando cheguei no bar, Henrique estava pegando uma pedida no balcão e, apesar de parecer um pouco mais baixo do que tinha imaginado, era igualzinho a foto — também pudera, ela tinha sido tirada há 05 minutos atrás —, mas era curioso ver aquela imagem ganhar movimento. Ele me viu e sorriu, meio tímido, meio achando graça, e se aproximou com a cerveja na mão e mandou um: “oi, você vêm sempre aqui?”. Porra, estragou toda a brincadeira, na hora já comecei a rir e desistimos da encenação.

Nos apresentamos formalmente e pegamos uma mesa num canto mais reservado. A conversa fluiu bem, começamos falando de trabalho, viagens, família, os cachorros de cada um e algumas cervejas depois caímos no papo de fantasias sexuais:

Henrique: achei engraçada sua sugestão de a gente fingir que não se conhecia... Você curte esse tipo de coisa? Tipo fingir ser outra pessoa? Usar fantasias?

Eu: até curto, mas, nesse caso, você era quase um desconhecido mesmo, né?

Henrique: Ihhh “era”? Então já acabou sua fantasia? Não deveria ter te contado tanta coisa sobre mim...

Eu: Vamos ter que pensar em outra então, né?

Henrique: Vamos...

E sorriu tão maliciosamente que fiquei meio sem graça e mudei de assunto, embora uma parte minha tenha ficado perdida lá na ideia sobre as outras fantasias que poderíamos imaginar, e desconfio que dele também, porque pouco tempo depois, lançou: “minha casa fica aqui perto, vamos tomar uma saideira lá?”.

Na casa dele, estava olhando os livros na estante, quando ele se aproximou e, pousando as mãos na minha cintura, encostou de leve o nariz na minha orelha e sussurrou: “sabia que eu te achei muito gata?”. Respondi apenas alongando a lateral do pescoço, oferecendo-o sem pudores. No momento em que seus lábios encostaram na minha pele e senti sua barba roçando de leve, um arrepio percorreu meu corpo, indicando que a química tinha rolado. Ele beijou o meu pescoço sem pressa, enquanto me puxava para perto. Senti sua língua quente contornando a minha orelha e fui deixando nossos corpos se encostarem. 

Apesar do volume que senti contra a minha bunda evidenciar uma ereção, ele se mantinha calmo, provocativo. Beijou e lambeu meu pescoço como se ele fosse de açúcar. E, vagarosamente, foi subindo as mãos, por baixo da minha blusa, seguindo a linha da cintura até chegar no contorno dos seios. Ansiosa pelo seu toque, encorajeio-o, pressionando meu quadril em seu pênis intumescido.

O calor das suas mãos apalpando meus seios, provocando meus mamilos, fazia eu me sentir febril. Com a respiração ofegante, soltei um suspiro mais forte, que pareceu derreter no ar.

Me virei na sua direção e segurei o seu rosto com as duas mãos, acariciando sua barba macia e puxando-o para um beijo. Nossas línguas se encontraram cheias de desejo, úmidas como a minha calcinha, provando os sabores um do outro.

Henrique foi me puxando em direção ao sofá, onde ele sentou, enquanto eu permaneci de pé, desfrutando a sensação das suas mãos passeando por baixo da minha saia, explorando as minhas coxas e bunda. E, sem pressa,  uma delas foi subindo pela parte da interna da coxa, até encostar na virilha. Os seus dedos afastaram a calcinha e foram abrindo caminho entre os pequenos lábios, até encontrar o meu clitóris. O seu toque era delicado e eu saboreava cada movimento sem pressa, esquerda-direita, para cima-para baixo, circunferências de múltiplos diâmetros... Ele prestava atenção às minhas reações e se demorava nos pontos nos quais gemia com mais intensidade.

Aquela altura saia e calcinha já estavam no chão e eu estava com uma das pernas apoiada no sofá, totalmente entregue às carícias daqueles dedos tão habilidosos. Ele inclinou a cabeça entre as minhas pernas e sua língua foi deslizando pelo vale molhado da minha vulva, alcançando o clitóris, contornando-o e sugando-o, primeiro suavemente, depois com mais intensidade.  

Entre beijos e gemidos, as últimas peças de roupa foram tiradas. Olhos e mãos explorando, alisando, apertando e provocando os corpos revelados, ávidos de desejo. Peles e pelos arrepiados como de dois animais se estranhando e se buscando instintivamente. 

A visão dele sentado nu no sofá, exibindo seu membro duro e olhando para mim como se fosse capaz de me engolir era um convite irrecusável.  Fiquei ainda mais excitada ao sentir o seu pênis pulsando na minha mão, enquanto o masturbava, observando suas expressões de prazer e seus gemidos, ouvindo sua voz rouca dizendo “que delícia, gata”.

Me posicionei montada de frente para ele, nossos órgãos genitais se roçando, o seu pau se lambuzando na minha buceta, até que sentei nele, me deixando penetrar aos poucos.

Os meus quadris se moviam, querendo se esfregar com cada vez mais vontade e mais força, enquanto ele me puxava pela cintura pedindo por mais. A sensação de rebolar e deslizar na sua rola tomada pelo prazer, fazia eu me sentir livre como uma amazona em plena cavalgada.

Gemidos e suores misturados, os corpos se movendo querendo mais encontro, mais fricção, mais intensidade. As mãos dele buscando meu corpo: seios, quadril, bunda, costas, boca... As minhas mãos buscando o corpo dele: pescoço, ombros, peito, braços.

De repente, sinto uma onda de prazer me invadindo, subindo pelos pés e arrebentando ao chegar nos quadris, liberando uma explosão de energia, fazendo eu me mover mais e mais rápido e, enfim, soltar um gemido alto. A sensação da crista da onda se quebrando e depois seguindo tranquila pela minha coluna trazendo relaxamento e entrega, deixando meu corpo como que abandonado na areia, ainda sentindo uma certa vertigem.

Quando o Henrique me abraça, solto um suspiro que é uma mistura de alívio e satisfação. E ouço ele dizendo ao meu ouvido: “quem você quer que eu seja da próxima vez?”

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Camila M. é um mulher na deliciosa aventura de descobrir quem é e quem pode ser na vida, na cama e nas palavras...

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